Rede Iberoamericana de Educação Musical e Inclusão Social

São Paulo,  7 de maio de 2010

Ref: Convite oficina de articulação da Rede Iberoamericana de Educação Musical e Inclusão Social

Dando continuidade às atividades iniciadas no ano passado durante o Seminário Iberoamericano de Educação Musical e Inclusão Social (São Paulo), o Centro Cultural da Espanha em São Paulo/ AECID/ACERCA tem o prazer de convidá-lo para participar da oficina de articulação da Rede Iberoamericana de Educação Musical e Inclusão Social, a ser realizada nos dias 20 e 21 de maio de 2010, na sede do CCE_SP, em São Paulo.

A atividade constitui uma etapa fundamental para a formatação e ativação da Rede, já que oferece a oportunidade de discutir metodologias, formatos e conteúdos com uma Profissional de Educação especializada em redes de trabalho. A oficina constitui ainda uma oportunidade de reunir novamente os representantes dos programas de educação musical  que participaram do Seminário em 2009 e refletir sobre as atividades de intercâmbio previstas para 2010 e a próxima edição do Seminário.

 Resumo geral e condições oferecidas:

 – O Programa ACERCA, através do Centro Cultural da Espanha em Sao Paulo, se responsabiliza pela organização do curso, que é gratuito.

– A oficina terá duração de dois dias – dia 20 de maio, de 14h00 a 18h00 e 21 de maio de 9h00 a 18h00 –  e será realizada na sede do Centro Cultural da Espanha em São Paulo.

– A oficina é destinada a representantes de projetos de educação musical que tenham interesse em fazer parte da Rede Iberoamericana de Educação Musical e Inclusão Social.

–  As confirmações de participação devem ser feitas até a próxima sexta-feira, dia 14 de maio de 2010, pelo email marina.correa@ccebrasil.org.br

Qualquer dúvida ou esclarecimento, por favor entre em contato com Marina Correa (marina.correa@ccebrasil.org.br).

Palestras de Rafael Sanz-Espert e de João Augusto Frayze Pereira no último dia do Seminário Ibero-Americano no SESC Consolação

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Foto: Waldo Lao

Maestro espanhol e psicanalista brasileiro falaram sobre as bandas de música e a experiência com as artes

O último dia de atividades abertas ao público do Seminário Ibero-Americano de Educação Musical e Inclusão Social, quinta-feira 12 de novembro, foi iniciado com as palestras do maestro espanhol Rafael Sanz-Espert, que abordou “As Bandas de Música: uma realidade sociocultural”, seguida pela fala do psicanalista brasileiro João Augusto Frayze Pereira, com o tema “Sobre a experiência com as artes: a questão do pensamento sensível”.

Rafael Sanz-Espert, maestro formado em bandas de música na Espanha, diretor da Banda Municipal de Bilbao e que já foi regente titular de mais de uma dezena de bandas na cidade de Valência, discorreu sobre aspectos inerentes a diversos países da ibero-américa, que têm nas bandas de música um importante veículo de formação de instrumentistas.

“Em grandes orquestras brasileiras, como a Osesp – Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, muitos dos instrumentistas de metais e madeiras foram formados por bandas do interior do país”, afirmou Ricardo Apezzato, coordenador pedagógico e regente da Banda do Guri Santa Marcelina. No sábado, dia 21 de novembro, o maestro espanhol irá reger os guris em um ensaio da Banda. “Quanto mais experiências tiverem com pessoas de visões musicais diferentes, melhor. Isso amplia as possibilidades de visão e de repertório, gerando um enriquecimento para os meninos”, revelou Ricardo.

O regente assistente da Orquestra Jovem do Estado, Luis Fidelis, concorda que será uma grande experiência para as crianças e jovens do Programa Guri Santa Marcelina. “Para eles que estão começando nesse meio, será uma ótima oportunidade de trabalhar com alguém como Rafael Sanz-Espert. Acredito também que o maestro irá se surpreender com o nível dos jovens instrumentistas”, ponderou Luis Fidelis.

Em seguida, o psicanalista João Augusto Frayze Pereira realizou a sua palestra, que abordou a importância da experiência estética e levantou questões sobre o que é a arte: “Não é qualquer manifestação que é arte. A arte supõe projeto“, disse. Frayze ainda revelou a importância do contato com a arte: “A arte é movida pela esperança de transformação e desperta no sujeito algo adormecido”.

A palestra de João Augusto Frayze Pereira foi a última do ciclo do Seminário Ibero-Americano de Educação Musical e Inclusão Social.

Terceiro dia do Seminário Ibero-Americano no SESC Consolação

Evento teve palestras de Lutero Rodrigues e Gilberto Dimenstein, mostras de programas da América Latina e apresentações da Trupe do Trapo e do Coral Jovem do Estado

A quarta-feira, 11 de outubro, terceiro dia do Seminário Ibero-Americano de Educação Musical e Inclusão Social teve a participação de palestrantes brasileiros, a mostra de programas da América Latina e apresentações artísticas da Trupe do Trapo e do Coral Jovem do Estado.

Lutero Rodrigues, primeiro palestrante do dia, falou sobre Heitor Villa-Lobos (1887-1959), compositor falecido há 50 anos. Em “Villa-Lobos: o compositor e sua música”, o maestro Lutero Rodrigues discorreu sobre a influência europeia na obra do autor, seu período mais moderno e experimentalista na França, na década de 1920, sua passagem pelos Estados Unidos nos anos de 1950 e sobre o desconhecimento no Brasil de parte significativa de suas composições. Mostrou ainda um vídeo de uma entrevista de Villa-Lobos a uma rádio canadense, com o seguinte conteúdo:

 O senhor é ligado a alguma escola?

Não. Se é para falar em termos de escolas musicais, pertenço à minha.

Fale um pouco sobre a sua escola…

Não posso falar que formei uma escola, porque a cada ano encontro uma escola diferente.

O segundo palestrante do dia foi o jornalista e educador Gilberto Dimenstein, colunista do jornal Folha de S. Paulo. Ele abordou o tema “A invenção do Bairro Escola”, por meio do qual explicou a origem e os desdobramentos dos chamados “Bairros Escola”, que integram diversas atividades culturais e educativas em locais da cidade de São Paulo, buscando desenvolver a cidadania e o sendo de pertencimento (inclusão). Mostrou exemplos de revitalizações realizadas em escolas, como a unidade Brooklin da Tom Jobim – Escola de Música do Estado de São Paulo e na Escola Estadual Maximiliano Pinheiro (Max), em bairros, como a Vila Madalena, e até mesmo na fachada de um cemitério.

No período da tarde, três programas latino-americanos que utilizam a educação musical como ferramenta de inclusão social expuseram suas realizações, conquistas e dificuldades ao público presente ao Teatro Anchieta, no SESC Consolação. O primeiro a se apresentar foi o programa do Paraguai Sonidos de La Tierra, representado pela coordenadora de gestão Nilda Úbeda, seguido por Batuta – Sistema Nacional de Orquestas Infantiles y Juveniles de Colombia, do presidente executivo Juan Antonio Cuéllar, e pela Fundación de Orquestas Juveniles e Infantiles de Chile, da coordenadora de captação Carolina González Zeballos.

No Espaço de Convivência, a Trupe do Trampo, formada por 16 integrantes com idade entre 12 e 72 anos, dentre os quais 90% possuem algum tipo de deficiência física ou psíquica, apresentou o espetáculo A Máscara da Liberdade, que relata a história de um palhaço que acredita ser o melhor, mais engraçado e inteligente de todos, e que fica preso em sua própria maquiagem. A peça, baseada no conto O Cavaleiro preso na armadura, de Robert Fisher, mescla elementos de teatro, circo, literatura e música ao vivo.

O encerramento do dia foi feito pelo Coral Jovem do Estado, formado por 48 músicos bolsistas, que interpretou, sob regência do maestro Nibaldo Araneda, obras de compositores franceses, como Pierre Passereau e Francis Poulenc, e brasileiros, como Francisco Mignone, Osvaldo Lacerda, Antonio Vaz e Claudio Santoro.

Entrevista: Gilberto Dimenstein

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Foto: Waldo Lao

Gostaria que você falasse sobre a sua participação no Seminário Ibero-Americano de Educação Musical e Inclusão Social.

A minha palestra é sobre uma experiência da qual a Santa Marcelina Cultura é parceira, que é o Bairro Escola, do qual participei do desenvolvimento em São Paulo, que busca criar comunidades de aprendizagem, mapeando os recursos que uma comunidade tem para colocá-los a disposição dos jovens e das crianças para que eles aprendam melhor. A música faz parte disso. 

Você poderia dar um exemplo de aplicação do Bairro Escola na cidade de São Paulo?

Na Vila Madalena, temos a articulação do Programa Guri Santa Marcelina com o Projeto Guri e o Aprendiz, no Polo Harmonia. O Programa Guri Santa Marcelina trabalha no conceito de Bairro Escola com o projeto Vitrine Musical, no qual grupos de estudantes da Tom Jobim – Escola de Música do Estado de São Paulo se apresentam no Centro Cultural Rio Verde. O Projeto Guri trabalha com escolas que iriam fechar, e possui inclusive uma unidade na rua Belmiro Braga, a mesmo do Centro Cultural Rio Verde e do Projeto Aprendiz. Essa integração de programas diferentes cria uma articulação com a comunidade, mostrando como a arte proporciona uma grande possibilidade de inclusão.

A educação musical é uma ferramenta eficaz de inclusão sociocultural?

Existem várias formas de se ver a música e a arte. Você pode ver a arte de uma maneira descompromissada, no bom sentido, sem nenhum propósito específico a não ser o encantamento e o prazer. Mas existe também a forma de encarar a arte que é aquela dos educadores, que a enxergam como uma grande isca para a aprendizagem. Ao desenvolver o conceito de Bairro Escola, a arte permeia uma forma de encantamento das pessoas com a sua comunidade, com o despertar da beleza.

Você já viu muitos exemplos práticos disso?

O tempo todo, em exemplos como os gerados por organizações como a Santa Marcelina Cultura e o Projeto Guri. Os jovens passam a estudar melhor, desenvolvem a auto-estima. A arte é um dos instrumentos mais poderosos que conheço de desenvolvimento de identidade, criação de perspectivas de vida. É por isso que o Bairro Escola revitaliza os locais, por exemplo, como na Vila Madalena, que é toda ela pintada.

Qual a importância do intercâmbio entre os programas?

Iniciativas como a do Seminário Ibero-Americano são fundamentais, porque reúnem experiências muito ricas, de programas que enfrentam problemas similares e podem encontrar soluções conjuntas. Um encontro como esse ajuda a criar uma rede de cooperação e a fazer com que os programas compartilhem experiências.

Entrevista: Lutero Rodrigues

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Foto: Waldo Lao

Você disse em sua palestra sobre Villa-Lobos que uma parte expressiva de sua obra, mais especificamente a de caráter mais moderno, é bastante desconhecida no Brasil. Após 50 anos de sua morte, por que essa situação perdura?

Justamente por ser uma obra moderna, pois a modernidade da música, por vezes, não entusiasma os agentes culturais ou os programadores das orquestras. Os líderes da vida cultural no Brasil não dão muita atenção a este lado, por ele não ser o mais popular da produção de Villa-Lobos.

Para o compositor é importante ter experiências no exterior e conhecer outras culturas e outras maneiras de compor?

É importante, mas não é imprescindível. O compositor pode atingir um alto nível sem sair de seu país, mas é sempre interessante ir para o exterior, já que a composição não tem apenas um modo de ser feita, inerente a apenas um país.

Para fazermos uma relação com o Seminário Ibero-Americano de Educação Musical e Inclusão Social, qual a importância dos intercâmbios culturais entre os diversos programas da latino-américa?

Além da oportunidade de uns aprenderem com os outros, considero fundamental o Brasil não se isolar da América Latina. Temos que nos integrar com os demais países latino-americanos, e não nos sentirmos superiores, ou não pertencentes a este universo. Um evento como o Seminário Ibero-Americano valoriza esta visão, da integração. Os nossos problemas são muito próximos, então não temos porque nos isolar.

Como um músico genial como Villa-Lobos pode contribuir com a educação musical. Seria por meio de inovações técnicas, experimentações, novas propostas?

Penso que a lição que Villa-Lobos nos deixou é a de se fazer não apenas aquilo que se espera que você faça e experimentar o não convencional, o que tem uma grande importância para a educação, porque pode levar os estudantes muito além de métodos esquematizados, abrir portas e permitir, servindo de exemplo, que outras pessoas também possam agir dessa maneira. Isso é um processo educativo.

O que nós temos a aprender com Heitor Villa-Lobos?

Nós temos muito a aprender com Villa-Lobos. O que conhecemos é apenas a ponta do iceberg.

São Paulo, Ceará e Bahia no segundo dia da Mostra de Programas

A tarde do dia 10 de novembro contou com a apresentação de programas que possuem um longo histórico de trabalho. O público presente pode conhecer um pouco sobre os quase 15 anos do Projeto Guri, algumas grandes histórias que marcaram os 21 anos da Associação de Corais Infantis Um Canto em cada Canto e também um pouco sobre a luta de 26 anos da Escola Olodum. Marta Bruno, Coordenadora Social do Guri Santa Marcelina, foi responsável por mediar as exposições dos trabalhos.

Alessandra Costa, diretora executiva da Associação Amigos do Projeto Guri, iniciou a tarde falando sobre a reformulação pela qual o projeto passou no ano de 2007 e sobre a sua atual estrutura que, com 1.500 funcionários, atende 40 mil jovens por meio de 366 polos situados em 301 municípios do Estado de São Paulo. A diretora falou também sobre as comemorações para os 15 anos que o projeto irá completar em 2010 e sobre as novas ações previstas para o próximo ano, como o programa de bolsas e a revista eletrônica. Saiba mais sobre o projeto Guri.

Ana Maria Militão Porto “Nininha”, criadora da Associação de Corais Infantis Um Canto em cada Canto, encantou desde o início de sua fala, quando convidou a todos para cantarem uma canção. Com sua experiência de 33 anos trabalhando com corais no Estado do Ceará, Nininha contou grandes histórias vividas por ela e seus alunos; histórias que provocaram risos e lágrimas do público que, em total silêncio, ouviu atentamente suas palavras. “Nossa função é estar com o povo, ir onde ele está”, afirmou Nininha, que, com muita graça, encerrou dizendo: “Eu sou contadora de histórias!”. Saiba mais sobre o trabalho de Nininha.

Finalizando a Mostra de Programas do dia, Mara Felipe, coordenadora pedagógica da Escola Olodum, começou sua apresentação com um vídeo que contou um pouco da história da Escola e ilustrou o trabalho realizado no Estado da Bahia. Em sua fala, a coordenadora ressaltou a missão da Escola que foca todas as suas ações para o desenvolvimento da cidadania e preservação da cultura negra e a afirmou como um espaço real de participação e expressão da comunidade afro-brasileira.

No final da apresentação, dois alunos subiram ao palco e fizeram uma pequena demonstração do que aprendem na Escola Olodum. “Estão vendo, não preciso falar nada. É só eles tocarem e já está tudo dito”, finalizou Mara Felipe. Saiba mais sobre a Escola Olodum.

Galeria de Fotos – 10/11


Veja mais fotos do dia 9 de novembro no Flickr!

Galeria de Fotos – 9/11


Veja mais fotos do dia 9 de novembro no Flickr!

Entrevista: Violeta Gainza

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Foto: Waldo Lao

Na manhã desta terça-feira, o Seminário Ibero-Americano de Educação Musical e Inclusão Social teve início com a participação de Violeta Gainza, que discursou sobre o tema “Panorama da Educação Musical na América Latina”. Consciente da amplitude da abordagem, Gainza levantou alguns pontos em comum aos países latino-americanos. Se por um lado, o bloco vive uma crise nos sistemas educativos, que veio acompanhada de outras crises sociais e econômicas nos anos 90, por outro, a professora de música ressaltou o grande nível de expressão e vida presente na população da América Latina, capaz de promover mudanças efetivas no cenário da educação musical.

Como a música e o ensino musical podem contribuir para que a sociedade latino-americana saia da atual crise em que se encontra?

A música é um direito do ser humano. Ela nos dá energia e alimento e permite a comunicação entre as pessoas, atuando como elo da sociedade. E este poder que a música exerce sobre as pessoas, como indivíduo, como grupo e como agente de comunicação, possibilita uma real inclusão social. A música, que antes de ser arte é linguagem, facilita este laço de união entre as pessoas. Todos precisam de música, da sua música.

Que mudanças são necessárias no atual cenário da educação musical na América Latina?

É necessário que se volte a pensar na educação musical, já que nos últimos tempos ela foi pensada de maneira equivocada. Precisamos superar uma visão colonialista da educação e assumir maior autonomia sobre nossos métodos, formando comunidades de educadores críticos que reflitam sobre a música e a educação. As instituições ligadas à educação deixam muito a desejar: a prática e a teoria não caminham juntas, não estão integradas. Enfatizam-se dogmas, conceitos, mas não se desenvolve o sentido crítico do ser humano; não é uma época de liberdade de pensamento. Temos que reconquistar a liberdade no campo da educação.

Entrevista: Ana Tomé

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Foto: Waldo Lao

Para o Centro Cultural da Espanha em São Paulo e para a AECID, qual a relevância do Seminário Ibero-Americano de Educação Musical e Inclusão Social?

Os Centros Culturais da Rede de Cooperação Cultural da Espanha têm um papel fundamental como articuladores e como propagadores de iniciativas que já estão acontecendo ou que querem acontecer. Nesse sentido, é muito importante termos conseguido, ao lado da Santa Marcelina Cultura e do SESC-SP, criar uma situação na qual é possível o intercâmbio de conhecimentos. Consideramos o Seminário Ibero-Americano como um dos destaques da programação desse ano do Centro Cultural da Espanha em São Paulo.

Qual a importância do intercâmbio entre os programas envolvidos no Seminário?

Temos uma rede própria de Centros Culturais, a Rede de Cooperação Cultural da Espanha, que é um exemplo para nós, fazendo com que acreditemos ainda mais no trabalho em rede e no conhecimento mútuo. Neste Seminário outros Centros Culturais da Espanha, de países como Paraguai e Uruguai, também colaboraram, possibilitando a vinda ao Brasil de palestrantes e programas. Nossa função não é exatamente criar redes, que devem ser geradas espontaneamente pelos programas, mas sim criar as circunstâncias nas quais essas redes possam surgir. O Seminário Ibero-Americano é, sem dúvida, uma dessas circunstâncias.

As experiências particulares e as peculiaridades de cada programa podem servir de exemplo aos demais?

Sim, até porque os problemas dos programas são muitas vezes similares. A dificuldade é justamente o encontro, a reunião, especialmente quando os programas são de países pequenos nos quais os organizadores têm poucos colegas com quem compartilhar experiências e conhecimentos, e em países grandes como o Brasil, que tem uma grande diversidade cultural e social e que é geograficamente imenso e variado. Nesses casos, é comum um programa desconhecer que outros passam pelos mesmos problemas, para os quais por vezes já foram encontradas soluções. Se conhecessem uns aos outros, não precisariam desperdiçar energia pensando em uma solução, uma vez que aquela que já foi experimentada funciona. Ideias de um podem ser úteis para os outros. Oportunidades como o encontro promovido neste Seminário são muito práticas.

Estamos aqui para traduzir, para levar a prática à declaração de princípios. Mais do que falar sobre o direito à cultura, à diversidade, à criação, é preciso criar as condições para que isso aconteça. Trabalhamos nesse sentido junto com os nossos parceiros e é por isso que espero que esse Seminário tenha continuidade, não obrigatoriamente como um encontro presencial, mas sim como espaço de conhecimento comum. Hoje em dia existem diversos meios de comunicação para manter-se o contato. Com esforço, organização e vontade, não tenho dúvidas que os contatos estabelecidos aqui vão dar frutos.

Você acredita na música como ferramenta de inclusão e transformação social?

Acredito em todas as áreas de criação como caminhos de transformação individual, primeiro elemento necessário para uma transformação social. A música é um dos caminhos mais óbvios para isso, porque sensibiliza tanto os praticantes como o público, de uma forma espontânea, mais ingênua e menos premeditada que em outras áreas, que exigiriam um esforço maior. Não devemos colocar em compartimentos fechados as áreas de música – a popular para o povo, a culta para as elites. A música é um instrumento fundamental, ainda mais em um país tão rico em sonoridades como o Brasil.